
Autor: STRATHERN, Paul
Obra: Darwin e a Evolução em 90 minutos 2ª Ed. 2001, Editora: Jorge Zahar, Total de páginas 93.
STRATHERN, Paul é um autor britânico, foi professor universitário de filosofia e matemática na Universidade de Kingston, escreveu 5 romances, um deles, “A Season in Abyssinia” ganhou o prêmio Somerset Maugham – um prêmio britânico literário famoso. Ele também é autor da coleção “Cientista em 90 minutos” que reúne cerca de 22 lívros que já foram traduzidos em mais de 12 línguas em todo mundo.
Conhecendo um pouco a teoria de Charles Darwin é possível, a partir da leitura do livro de STRATHERN (2001), conhecer um pouco mais sobre a trajetória, os percalços, as dúvidas, medos e paixões vividos por Darwin até a publicação da revolucionária e polêmica teoria da evolução.
Charles Robert Darwin nasceu em 12 de fevereiro de 1809, em Shrewsbury, na Inglaterra. Seu avô, Erasmus Darwin era um poeta e seu pai Robert Darwin, era um médico bem conceituado na alta sociedade da Inglaterra do Sec. XIX. Segundo o autor, Robert não passava de um médico medíocre que era negligente em atender pacientes se altos honorários não estivessem em jogo. Por conta disso enriqueceu e conseguiu dar tudo que podia de material para sua família. A mãe de Darwin morreu quando ela ainda era uma criança, portanto sua criação e educação ficaram a cargo de suas irmãs mais velhas, que segundo o autor, o mimaram a ponto de transformá-lo em uma pessoa hipocondríaca. Na escola local, Darwin começou sua fascinação em colecionar espécies e conduzir suas próprias experiências com elas.
Aos 16 anos Darwin foi mandado a Universidade de Edimburgo para estudar Medicina, mas tudo parecia que o futuro de Darwin já estava escrito, pois lá ele conheceu Robert Grant, um Zoólogo que ministrava aulas de anatomia e, assim como Darwin, tinha obsessão pela coleta de espécies. Charles tomou Grant como seu mentor e dele aprendeu sobre Lineu, botânico que iniciou o cenário para idéia da evolução afirmando que todas as espécies eram imutáveis, e sobre Lamark que formulou a primeira idéia de evolução quando disse que as espécies de animais e plantas evoluíam. Nessa parte da história STRATHERN começa a nos mostrar que Darwin, apesar de ter ainda pouca bagagem intelectual e conhecimento, começava a juntar peças do quebra cabeça e especular informações para no futuro formar o que hoje chamamos de Teoria da Evolução.
Robert Darwin, insatisfeito com desempenho do seu filho na Universidade – pois este só se interessava por aspectos relacionados a plantas e animais ao invés do corpo humano – retirou ele de Edimburgo. O Autor ressalta que o Pai estava decepcionado e sem saber o que fazer com Darwin nesse momento, portanto só restava aproximar ele de Deus matriculando Darwin na Christ’s College em Cambridge para estudar Teologia – uma ironia tendo em vista que a Teoria de Darwin iria polemicamente de encontro a Teoria do Criacionismo no futuro. Em Cambridge conheceu o reverendo John Henslow, que tinha uma grande reputação por seu conhecimento científico, promovia sessões de botânica e tinha muito em comum com seu antigo mentor Robert Grant. STRATHERN enfatiza que a fascinação de Darwin, tanto pela pessoa que era Henslow quanto pelo conhecimento que detinha, o levou a enxergar Henslow como uma figura paterna.
Henslow foi o precursor da famosa viagem de Darwin a bordo do HMS Beagle, viagem essa que mudaria para sempre a vida de Darwin. Em 5 anos viajando pelo HMS Beagle ele pode juntar uma quantidade enorme de partes do quebra cabeça para formular sua teoria, mas foi precisamente no arquipélago de Galápagos, onde permaneceu por cerca de 1 mês, que ele descobriu sua, até então, mais preciosa informação. Lá ele pode presenciar uma grande quantidade de espécies, entre elas os Tentilhões. Darwin observou que a cada ilha esses pássaros, da mesma espécie, tinham o bico adaptado para a forma que eles se alimentavam. Toda a viagem foi registrada em seu diário que ele publicaria anos mais tarde.
Ao fim da viagem Darwin não era mais um inexperiente botânico e sim um cientista renomado. Suas espécies, coletadas durante a viagem, foram expostas nos museus de Cambridge e Londres e ele foi nomeado a membro de um conselho de geologia. Darwin continuou a estudar alguns livros – um deles o “Ensaio sobre o princípio da população”, de Thomas Robert Malthuse, que falava sobre o crescimento populacional da humanidade e as conseqüências ruins que isso poderia levar, o que fez Darwin teorizar que os mais aptos sobrevivem e passam essa característica para a próxima geração – e desenvolver suas idéias para criar a Teoria que hoje conhecemos. Em contrapartida, segundo o autor, Charles era afligido constantemente com o fato de suas idéias irem de encontro ao criacionismo – no sec. XIX criar uma idéia contrária às da bíblia poderia ser bastante complicado.
Apesar preencher inteiramente sua vida pesquisando sobre espécies e teorizando conceitos, aos 29 anos Darwin estava se sentindo sozinho e carente dos mimos que fora acostumado a vida inteira por sua família – STRATHERN não deixa de enfatizar por várias vezes no texto que Darwin era “o queridinho” da família e crescera muito mimado por ela – e casou com sua prima de 1º grau, Emma Wedgwood. Nela ele conseguiu reaver seus mimos que tanto sentia falta. Emma era totalmente dedicada e subordinada a ele. “A seleção natural pode ter levado à extinção dessas coisas hoje, mas seu descobridor era totalmente dependente delas.” (STRATHERN, 2001, P.61)
Após o casamento Darwin resolveu publicar seu diário, que foi aclamado pelos populares e alvo de deboches no meio acadêmico. Mais uma vez o receio da igreja e de perder reputação como um Cientista renomado, falaram mais alto e ele resolveu guardar suas idéias e pensamentos sobre a evolução consigo. O Autor enfatiza esses receios de Darwin nos trechos a seguir, respectivamente: “Não havia como não perceber as discrepâncias entre suas observações e o Criacionismo ortodoxo, da maneira como era formulado no livro de abertura da Bíblia. Segundo o primeiro livro do Gênesis: Deus criou toda criatura viva que se move [“...].” “Questioná-la seria questionar a sabedoria de Deus.” “Darwin era então um membro respeitado da comunidade científica vitoriana e não tinha qualquer desejo de ser expulso ruidosamente do clube por blasfêmia.” (STRATHERN, 2001, P.45)
Darwin publicou a “A origem das espécies” exatamente 20 anos após a sua famosa viagem a bordo do HMS Beagle. A igreja reagiu de forma violenta, pois as idéias de Darwin transformavam, de certa forma, os seres humanos em macacos, e contestou suas idéias. O povo assimilou a idéia e pela primeira vez na história, uma idéia científica ficou famosa no âmbito popular. Em 1872, 14 anos após a publicação de “A origem das espécies”, Darwin publica “Origem, a expressão das emoções no homem e nos animais”, que veio a complementar ainda mais a Teoria da Evolução.
Em 19 de abril de 1882, Charles Darwin morreu. Seu corpo foi enterrado na Abadia de Westminster, em Londres.
Podemos concluir com o texto que ninguém é capaz de criar uma teoria sem base nenhuma. É preciso, de certa forma, pesquisar exaustivamente sobre o assunto e o mais importante, ter uma relação sentimental com o assunto. Darwin mostra essa relação sentimental com sua teoria desde a escola, quando começou a pesquisar e colecionar espécies. Darwin levou a vida inteira pesquisando para poder criar a Teoria que revoluciona até hoje a ciência. Gostaria de ressaltar que se não fosse o medo da igreja e o medo de perder sua reputação, por conta da má repercussão da Teoria da Evolução poderia ter – de alguma forma ele sentia que o mundo ainda não estava pronto para tamanha descoberta –, acredito que Darwin levaria menos tempo para formulá-la e publicá-la.